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domingo, 19 de setembro de 2010

Memórias de uma Gueixa

Bem,  este é o meu livro favorito. Foi publicado em 1997 por Arthur Golden, e narra em primeira pessoa a vida de uma menina pobre do interior do Japão, chamada Chiyo, que é vendida pelo seu pai para uma casa de gueixas. Após isso, a vida da menina toma um rumo completamente diferente, e até mais dramático do que se ela tivesse continuado na sua cidade natal. É o tipo de livro que você sente todas as emoções da personagem, todo seu sofrimento. A história do livro se passa no período da segunda guerra mundial.

Golden é formado em história japonesa, esse livro foi escrito após entrevistar uma "ex'-gueixa. Alguns trechos da entrevista, que dizem respeito a cultura das gueixas, eram para terem sido mantido em segredo, porém Golden colocou-os em seu livro.

Em 2005, foi adaptado para filme, com o mesmo nome, estrelando Ziyi Zhang no papel principal. O filme foi uma ótima adaptção, na minha opinião, uma das melhores de um livro para filme.

Com certeza uma boa pedida para aqueles que desejam ter mais conhecimento sobre uma sociedade que pouco se sabe.

O fantasma da Ópera





Bem eu já assisti esse filme muitas vezes...


E sempre achei que tinha sido inspirado somente no musical da Broadway.


Mas não, na verdade, existe o livro do Fantasma da Ópera, cujo o nome original é "Le Fantôme de l'Opéra", foi escrito por Gaston Leroux, inspirada no livro Trilby de George du Maurier. Publicada pela primeira vez em 1910, foi desde então adaptada inúmeras vezes para o cinema e atuações de teatro, atingindo o seu auge ao ser adaptada para a Broadway, por Andrew Lloyd Webber, Charles Hart e Richard Stilgoe. O espectáculo bateu o recorde de permanência na Broadway (superando Cats), e continua em palco até hoje desde a estreia em 1986. É o musical mais visto de sempre, visto por mais 100 milhões de pessoas, e também a produção de entretenimento com mais sucesso que alguma vez existiu, rendendo 5 bilhões de dólares.



quinta-feira, 16 de setembro de 2010

10 livros que viraram filmes




Há quem goste de ler um bom livro, mas há também quem prefira conferir uma aclamada adaptação para o cinema ou televisão ao invés de folhear as páginas de uma obra. Numa tentativa de agradar a todos os gostos e estilos, diretores e produtores transformaram diversos best-sellers em filmes ao longo das últimas décadas.
Dentre tantas opções, o 10 + desta semana selecionou algumas das adaptações mais conhecidas do cinema mundial, independente de terem sido grandes produções ou fracassos de crítica e/ou bilheteria.
Deixamos de lado alguns longas muito óbvios como a saga de Harry Potter (J.K. Roling) a trilogia de O Senhor dos Anéis (J.R.R. Tolkien), a leva de filmes teen baseados no livro Crepúsculo (Stephenie Meyer), o emocionante Marley e Eu (John Grogan) e polêmico O Código da Vinci (Dan Brown). Confira a nossa seleção!


O Diário de Bridget Jones


O livro de Helen Fielding deu origem em 2001 a uma comédia romântica britânica, dirigida por Sharon Maguire. Com Renée Zellweger no papel principal, a história traz o dia a dia de uma solteirona de 30 anos. Um pouco cheiinha, Bridget vive se metendo em uma confusão atrás da outra por causa de sua necessidade de encontrar um namorado. Quando nada dá certo, qual a solução? Afogar as mágoas com [muito mais que] um belo pedaço de pizza, seguido por uma deliciosa torta de creme e muito chocolate e sorvete.

Para quem não sabe, a atriz precisou engordar mais de 10 kg para viver a gordinha mais querida e atrapalhada do mundo do cinema.



O Colecionador de Ossos


Com Denzel Washington e Angelina Jolie no elenco, o longa norte-americano de 1999 teve como base a obra homônima de Jeff Deaver. O conceituado policial Lincoln Rhyme sofre um acidente que o deixa tetraplégico, pensando até mesmo em suicídio. Sua vida, no entanto, vira de cabeça para baixo quando um serial killer com um hábito bastante peculiar - o de remover os ossos de suas vítimas - começa a cometer assassinatos na cidade. A policial novata Amelia Donaghy o ajuda nesta investigação, já que ele está imobilizado em sua cama.



Laranja Mecânica


Esse é um daqueles casos inversos, em que o público afirma que o filme consegue ser muito melhor do que o próprio livro, escrito em 1962 por Anthony Burgess. Dirigido pelo renomado Stanley Kubrick, a produção tornou-se um clássico do cinema, um estilo inovador, polêmico e primoroso segundo o blog Olhar de um Crítico.

Alex é o líder de uma gangue de jovens delinquentes que sentem prazer em roubar, bater, estuprar e cometer todo o tipo de atos de violência pelas ruas da cidade de Londres. O protagonista vivido por Malcolm McDowell é preso e vira cobaia de uma experiência criada pelo Estado, chamada "Método Ludovico", que tem o objetivo de regenerá-lo.



O Fantasma da Ópera


A novela francesa escrita por Gaston Leroux, publicada pela primeira vez em 1910, já ganhou diversas adaptações não só para o cinema, mas também para o teatro, principalmente na Broadway. A história original se passa no século XIX, na mal assombrada Ópera de Paris, segundo seus funcionários. Há um "fantasma" que, quando se apaixona pelo jovem bailarina Christine Daaé, tenta levá-la para o seu "mundo subterrâneo". A adaptação mais atual para o cinema foi dirigida por Joel Schumacher e contou com Gerard Butler (Fantasma) e Emmy Rossum (Christine) no elenco.


O Exorcista


O thriller foi baseado no livro de William Peter Blatty, publicado em 1971, e há boatos de que a história tenha sido baseada em fatos reais, segundo relato de um padre norte-americano que afirmou ter feito o exorcismo de um demônio em um menino de 13 anos em 1949.

A história trás a menina Regan, que fica "doente" de forma inexplicável, passando a ter distúrbios paranormais, alterações físicas e ganhando poderes sobrenaturais. O Exorcista fez tanto sucesso que levou duas estatuetas no Oscar de 1974 ("Melhor Roteiro Adaptado" e "Melhor Som"), além de ter recebido outras oito indicações. O filme homônimo foi lançado em 1973 e, mesmo assim, é capaz de causar medo nos espectadores até hoje!


O Talentoso Ripley


Escrito por Patricia Highsmith em 1955, O Talentoso Ripley conta a história de Tom (vivido no filme de suspense de 1999 por Matt Damon), um homem com o dom de imitar, perfeitamente, as características de uma pessoa. Ele é capaz de plagiar assinatura, voz, trejeitos, personalidade e qualquer outra característica de uma pessoa, a ponto de conseguir assumir a identidade de outrem. E é exatamente isso o que acontece quando Ripley acaba assassinando seu amigo Dickie (Jude Law) e decidindo se passar por ele.


Chocolate


O romance de Joanne Harris (1999) conta a história de Vianne Rocher, uma mãe solteira que se muda para uma cidade rural da França. Lá, ela abre uma loja de chocolates em frente à igreja local - o que faz a população julgá-la como subversora da ordem e da moral no local. Aos poucos, Vianne conquista a confiança dos moradores da vila. Produzido pelo cineasta sueco Lasse Hallström no ano seguinte ao lançamento do livro, Chocolate traz Juliette Binoche e Johnny Depp em deliciosas cenas que misturam desejo e, é claro, muito chocolate...


O Segredo de Brokeback Mountain


A autora Anne Proulx lançou pela primeira vez em 1997 (na revista The New Yorker) o conto que viria chocar a sociedade em geral e quebrar tabus e paradigmas da época. Durante o verão de 1963, os jovens vaqueiros Jack (Jake Gyllenhaal) e Ennis (Heath Ledger) se conhecem e, depois de muito conviverem a sós, não conseguem controlar a paixão que se estabelece entre os dois. A dramática história de amor vivida pelo casal gay dura mais de 20 anos.

Com direção de Ang Lee, o filme (2005) ganhou o Oscar 2006 em três categorias, mas o prêmio mais interessante foi o de "Melhor Cena de Beijo", entregue pelo MTV Movie Awards em 2006.


O Silêncio dos Inocentes


O suspense policial norte-americano de 1991 foi baseado no livro homônimo de Thomas Harris, publicado em 1989. Clarice Starling, uma jovem treinada do FBI, precisa capturar um serial killer que está à solta nos Estados Unidos. Para tal, a personagem de Jodie Foster entrevista o psiquiatra Hannibal Lecter, um psicopata canibal que foi preso e condenado ao corredor da morte. Apenas uma mente insana como a de um criminoso sanguinário pode lhe ajudar a desvendar os crimes.

O filme, que recebeu cinco estatuetas no Oscar de 1992, traz o ator Anthony Hopkins no papel do Dr. Hannibal Lecter.


Planeta dos Macacos


Idealizado pelo escritor francês Pierre Boulle em 1963, Planeta dos Macacos conta a história do astronauta Leo Davidson (Mark Wahlberg) que, dentro da espaçonave, sofre um acidente por causa de uma tempestade eletromagnética. O rapaz vai parar num planeta desconhecido, onde primatas vivendo em comunidade dominam a espécie humana, escravizando-a. Leo não concorda com a situação de opressão e, por se tornar uma ameaça à ordem do planeta, passa a ser caçado, causando uma verdadeira revolução naquele mundo.

O enredo teve duas adaptações para o cinema: a de Franklin J. Schaffner em 1968; e a mais comum, dirigida por Tim Burton em 2001. Na década de 70, o longa de Schaffner teve ainda quatro continuações.


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É válido lembrar que muitos outros livros tornaram-se filmes de sucesso.













 Por: Amanda Tarnowski

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Literatura e Cinema


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Dia 23 de abril é comemorado o Dia Internacional do Livro. Mas numa geração cada vez mais conectada, será que alguém ainda tem o hábito de ler obras impressas? Se você é do grupo que tem certeza, essa matéria é para você. Se você acha que não, também serve.

Até porque, pelo que vemos por aí os sucessos de bilheteria, atraem cada vez mais jovens às livrarias de todo o mundo. E isso nos faz acreditar que sim, o pessoal ainda lê. Pelo menos é isso que indica a listinha que fizemos com o sucessos de vendas e bilheterias.


1º Crepúsculo de Stephenie Meyer




2º Diário de Princesa de Meg Cabot




3º Comer, Rezar e Amar de Elizabeth Gilbert




4º Sherlock Holmes de Sir. Arthur Conan Doyle




5º Julie e Julia de Julie Powell




6º O Caçador de Pipas de Khaled Hosseini




7º Harry Potter de J.K. Rowling




8º P.S. Eu te amo de Cecelia Ahern




9º O Senhor dos Anéis de J.R.R Tolkien




10º Entrevista com o Vampiro de Anne Rice




Retirado do blog: http://blog.br.tj.net/2010/04/10-livros-que-viraram-filmes/




Postado por Danielle Cássia

sábado, 11 de setembro de 2010

Literatura Brasileira no Cinema

Cinema brasileiro e adaptação de literatura ficcional de autores nacionais

Artigo publicado no livro Fusões: cinema, televisão, livros e jornal organizado por
Antonio de Andrade e Sandra Reimão – publicado pela Editora Metodista em 2007



Resumo:

Este trabalho traça um panorama da presença da literatura brasileira de ficção como fonte para o cinema nacional ao longo de sua história. Trata-se de um levantamento que visa abranger a totalidade dos filmes brasileiros de longa metragem que se basearam em obras literárias de escritores brasileiros, de 1896 até 2002, ou seja, até a consolidação do chamado cinema da Retomada. Tomou-se como fonte principal para este levantamento o livro de Antonio Leão Silva Neto, Dicionário de Filmes Brasileiros (São Paulo, Edição do Autor, 2002) que registra os filmes de longa metragem produzidos no Brasil entre 1908 e fevereiro de 2002.

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Dezenove de junho de 1898. Domingo. O navio Brésil retorna da Europa e adentra a baía da Guanabara, Rio de Janeiro. A bordo, Afonso Segreto pega sua câmera recém adquirida e filma a baía. Esta é, a que se sabe até o momento, a primeira filmagem em território brasileiro. Dez dias mais tarde, em 29 de junho Afonso Segreto filma o enterro de Floriano Peixoto e passa a realizar regularmente pequenos registros de imagens da cidade do Rio de Janeiro.

Esses pequenos filmes, ou “vistas animadas”, passam a ser exibidos no “Salão de Novidades” mais tarde chamado “Salão Paris no Rio”, primeira sala fixa de cinema, instalada, desde 1897, na Rua do Ouvidor 141, Rio de Janeiro. O principal proprietário d´ “Salão” era Paschoal Segreto irmão de Afonso Segreto. Antes da instalação d´ “Salão” as exibições de “fitinhas curtas” eram feitas esporadicamente em circos ou por artistas ambulantes. A primeira exibição destas “vistas animadas” se deu em 1896.

A filmagem da baia da Guanabara deu-se em uma viagem de retorno. Afonso Segreto fora a Paris comprar fitas e equipamentos para o “Salão”. Os Segretos foram, pelo menos até 1903, os “únicos produtores dos escassos filmezinhos nacionais de atualidades”.
Aos poucos começam a surgir os filmes de ficção, ou “posados”. As primeiras notícias sobre filme posado produzido no Brasil datam de 1906. Trata-se do filme Os Estranguladores, produzido em 1906, pela Photo-Cinematographia Brasileira, que reconstruía um crime real acontecido na cidade do Rio de Janeiro e que já havia sido abordado por folhetos, peças (inclusive a peça A Quadrilha da Morte, de Rafael Pinheiro e Fiqueiredo Pimentel da qual o filme retira seu argumento) e revistas teatrais e cujos acusados já haviam sido filmados pela Empresa Paschoal Segretto no documentário Rocca, Carletto e Pegatto na Casa de Detenção. Os Estranguladores, um filme de 40 minutos de duração, teve oitocentas exibições em dois meses e é considerado o primeiro sucesso de público do cinema brasileiro e, como observa Roberto Moura, já aponta para um primeiro domínio da narrativa cinematográfica nacional “o esquema emprestado da reportagem jornalística”. Apesar do sucesso de Os Estranguladores pode-se dizer que até 1908 a produção de cinema, destas “fitas curtinhas”, foi paupérima. “Durante dez anos (...) o cinema vegetou, tanto como atividade comercial de exibição de fitas importadas, quanto como fabricação artesanal local”.

A partir de 1907 a regularização da distribuição da energia elétrica no Rio de Janeiro propicia um incremento nas atividades cinematográficas: “A regularização da distribuição de energia elétrica para o Rio de Janeiro em 1907 dá novos contornos ao cinema carioca. (...) no segundo semestre do ano são instalados mais de vinte cinemas em torno da Avenida Central (...). Muitos desses donos de salas passam a produzir filmes, provocando a aparição de uma geração de técnicos estrangeiros de formação ou improvisados e também nacionais, vindos da fotografia de estúdio ou do jornal”.


A primeira adaptação cinematográfica de romance de autor nacional

O primeiro filme brasileiro que teria tido por origem um romance de um autor brasileiro foi Os Guaranis de 1908. Porém, nesse caso, não se tratava de uma adaptação literária propriamente dita, mas sim da filmagem de uma pantomima circense, esta sim, inspirada no romance de José de Alencar. Este filme era um curta metragem e teve como operador Roberto Leal. No elenco, além de atores, encontrava-se a troupe do circo Spinelli.

Em 1914, com direção, roteiro, cenário e montagem de Luiz de Barros, o produtor Ítalo Dandini realizou no Rio de Janeiro uma adaptação cinematográfica do romance de José de Alencar, A viuvinha. Ítalo Dandini também atuava como ator no filme no papel do protagonista masculino. Não temos acesso a esse que parece ter sido a primeira adaptação para cinema de romance de autor nacional. O produtor “decepcionado com o resultado artístico e o trabalho de laboratório, destrói a película antes de sua exibição”. Observe-se que José de Alencar será um dos autores que mais serviram de fonte pra produções cinematográficas nacionais – seus romances geraram 22 filmes.

A viuvinha foi a primeira adaptação cinematográfica de um romance de um autor brasileiro. Antes dele, entretanto, os cineastas locais já haviam recorrido a autores estrangeiros na busca de enredos para seus filmes: em 1909, Antonio Leal dirigiu uma versão brasileira de A cabana do Pai Tomás, baseado no livro de Harriet B. Stowe.

Este pioneirismo cronológico e protagonismo quantitativo de José de Alencar como fonte para filmes nacionais, ilustra bem a observação de Antonio Candido em A formação da Literatura Brasileira que aponta ser José de Alencar certamente a mais sólida glória de nossa literatura junto aos leitores.

Notemos ainda que quase quarenta anos mais tarde nos primórdios da televisão e da telenovela brasileira, a primeira telenovela adaptada da literatura nacional foi uma produção de Senhora realizada pela Rede Paulista em 1952, ainda no período em que as telenovelas eram transmitidas ao vivo e não diárias, ou seja, com apenas dois ou três capítulos por semana. No mesmo ano, houve ainda as adaptações para telenovela de Diva, de José de Alencar, Helena, de Machado de Assis e Casa de pensão de Aluísio de Azevedo.


Cinema Brasileiro e Adaptação de Literatura Ficcional de Autores Nacionais - Um Rápido Olhar

Em seu livro, Dicionário de Filmes Brasileiros (São Paulo, Edição do Autor, 2002) Antonio Leão Silva Neto registra os filmes de longa metragem produzidos no Brasil entre 1908 e fevereiro de 2002. O autor apresenta as fichas técnicas de 3.415 (três mil quatrocentos e quinze) filmes brasileiros produzidos nesse período.

A partir dessas 3.415 fichas foi-nos possível localizar 459 (quatrocentos e cinqüenta e três) filmes de cineastas brasileiros que tiveram por base obras literárias de escritores brasileiros. (Em caso de dúvida sobre a autoria obras e sobre a nacionalidade de autores recorremos ao Dicionário de Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa, Rio de Janeiro, Ed. Global, 2002 e ao catálogo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro).

Considerando o ano de produção como aquele do lançamento do filme, a produção dos 459 filmes de longa metragem de cineastas nacionais baseados em obras de escritores brasileiros é, cronologicamente, assim distribuída:



A tabela acima aponta marcadamente um incremento da proporção de filmes baseados em obras literárias nacionais na década de 1970. Nunca é demais lembrar a complexidade sócio-cultural da década de 1970 – uma década em que conviveram lado a lado os índices positivos de desenvolvimento do chamado “Milagre Econômico” e a repressão e o cerceamento vigente na Ditadura Militar. Especialmente durante os chamados anos de chumbo (1969-1974), “o mais duro período da mais duradoura das ditaduras nacionais”, o Brasil vivia altas e inéditas taxas de crescimento econômico e um regime de pleno emprego – era o chamado Milagre Brasileiro e “o Milagre Brasileiro e os Anos de Chumbo foram simultâneos. Ambos reais, coexistiram negando-se”.

Se, por um lado, o Milagre Econômico propiciou a industrialização da produção cultural e da comunicação de massa no País, por outro lado, a ação estatal em relação à produção e à veiculação cultural “discordante” durante os chamados Anos de Chumbo era simplesmente o expurgo e a censura.

Em meados dos anos 70 o país viveu a “crise do milagre econômico”, e, a partir de 75, inicia-se o longo processo de Abertura política. Em 1975 foi publicado o Plano Nacional de Cultura (PNC), formulado pelo ministro Ney Braga e pelo Conselho Federal de Educação, no qual o Estado Autoritário dá-se o papel de mecenas interessado em apoiar a cultura nacional, os produtos culturais e artísticos que valorizassem os traços e as raízes brasileiras – é nesse momento que se dá a maior presença de adaptações literárias de autores brasileiros no cinema nacional.


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A rigor, existem vários graus de adaptação de uma literária para um meio audiovisual, as mais comuns são: a adaptação propriamente dita, o “basear-se em” e o “inspirar-se em” e o vago “a partir de”. Para efeito deste levantamento não levamos em conta possíveis diferenças entre essas denominações.

As principais formas literárias que serviram de base para os 459 filmes de longa metragem de cineastas nacionais realizados, entre 1908 e 2002, a partir de obras de escritores brasileiros foram:




As obras mais adaptadas são: “O Guarani” e “Iracema” as duas com 5 versões e ambas de autoria de José de Alencar. Esse também é o autor mais adaptado com 22 filmes a partir de suas obras. Porém, em termos de variedade o mais adaptado é o dramaturgo Nelson Rodrigues com 15 obras (uma dessas é assinada pelo pseudônimo de Suzana Flag), dessas 12 são diferentes. Logo em seguida está o escritor Jorge Amado com 11 adaptações, sem nenhuma repetição.


Uma breve observação

De maneira bastante geral, grosso modo, podemos dizer que boa parte da historiografia do cinema brasileiro costuma identificar após 1930, após o advento do cinema sonoro, pelo menos seis grandes movimentos na história do cinema entre nós: o ciclo da chanchada, a experiência da Vera Cruz, o cinema independente dos anos 1950 e 1960, o movimento Cinema Novo, o assim chamado Cinema Marginal, a fase Embrafilme, e, a partir de 1995 o chamado Cinema da Retomada.

Aceitando-se as premissas gerais dessas grandes divisões, podemos verificar que em cada um desses seis momentos houve adaptações literárias relevantes e muitas delas podem ser referidas como exemplos paradigmáticos do movimento em que se insere. Neste sentido, citemos o papel central de Vidas Secas (1963, Nelson Pereira dos Santos, extraído do romance de Graciliano Ramos) no Cinema Novo ou Cidade de Deus (2002 Fernando Meirelles e Kátia Lund) a partir do livro homônimo de Paulo Lins) no chamado Cinema da Retomada.


Mais uma observação - final

Uma outra observação que salta aos olhos é a imensa variedade das formas literárias que já serviram de ponto de partida para filmes brasileiros. Praticamente todas as formas literárias ficcionais estão aí representadas. Essa variedade parece-nos indicar uma profunda capacidade de articulação, de aglutinação, da produção cinematográfica brasileira.

Essa observação se torna mais pertinente se atentarmos que o cinema brasileiro parece dialogar não só com as mais diversas formas literárias como também com outros segmentos da produção cultural brasileira. Percorrendo a listagem dos filmes brasileiros é possível verificar que existem produções cinematográficas que tiveram por base , história em quadrinhos, contos e lendas populares, personagens reais, crimes reais, músicas e programas de televisão e rádio. Citando alguns exemplos: “Moleque Tião” dirigido por José Carlos Burle foi baseado em reportagens; “Angelitos” dirigido por Humberto Santana partiu de uma HQ; “Mandacaru vermelho” dirigido por Nelson Pereira dos Santos nasceu de uma lenda popular; “Carlota Joaquina, princesa do Brazil” de Carla Camurati retrata um personagem histórico real; “O crime da mala” dirigido por Antônio Tibiriçá retrata um crime real; “Fuscão preto” de Jeremias Moreira Filho foi elaborado a partir de uma música homônima; “Marcado para o perigo” dirigido por Ary Fernandes articula-se a partir de um programa de TV e “As taradas atacam” de 1978 dirigido por Carlo Mossy foi construído a partir de um programa de rádio.

Gabriel Garcia Márquez uma vez disse que o Brasil é o país da música, do futebol e do cinema. A capacidade do cinema brasileiro de dialogar, de reportar-se, aos mais diversos aspectos da cultura brasileira parece indiciar sua capacidade de ser, tal qual o e nossa música e nosso futebol, um ponto de reconhecimento e de convergência da cultura nacional.
 
 



Postado por Danielle Cássia

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ensaio sobre a cegueira



Um romance de José Saramago, nos faz refletir e até certo ponto temer a humanidade.
Dirigido por Fernando Meirelles e produzido pelo Brasil, Japão e Canadá o filme nos trás de forma muito bem adaptada a obra do escritor português.

O livro e o filme trazem de forma impactante e de certa forma incômoda uma doença onde as pessoas ficam cegas. O primeiro caso se dá no Japão quando um motorista (Yusuke) não consegue mais dirigir por ter ficado cego, ao ir ao oftalmologista, o médico não descobre nada a respeito da pressuposta cegueira, e logo depois todos que tiveram contato com Yusuke ficam cegos também, sua esposa que o levou para o médico, o ladrão que roubou seu carro logo após ajuda-lo a chegar em casa, o médico e os pacientes da sala de espera do consultório - também ficam cegos. O governo trata a doença como uma epidemia e imediatamente coloca de quarentena os doentes, em uma instalação vigiada o tempo todo por soldados armados.


Muitas vezes a mulher do médico, que foi a unica que não foi contaminada pela doença mais se disse cega só para acompanhar o marido na reclusão, se perguntou quais são o valores da visão em um mundo de cegos ?


O livro apesar de sua filosofia, é grotesco, bruto e sujo, a descrição de um estupro coletivo de uma mulher que troca seu corpo por alimento, da mulher do médico que vê os cães comerem um cadáver, além do tormento psicológico e físico das personagens.
 O filme não retrata explicitamente essas cenas, mas não minimiza seu impacto.




LINKS :


TRAILER DO FILME

CENAS DO FILME

Por: Amanda Tarnowski